Na África do Sul, a língua de sinais poderá passar a ter estatuto de língua oficial. Uma recomendação para o efeito foi apresentada esta semana ao Parlamento sul-africano pelo Comité de Revisão Constitucional. Estatísticas indicam que cerca de seiscentos mil cidadãos sofrem de surdez na África do Sul. Segundo activistas sociais, o não reconhecimento oficial da língua de sinais impede que os surdos e milhões de outros cidadãos com deficiência auditiva usufruam dos seus direitos constitucionais. Um destes direitos, por exemplo, é o caso do acesso à comunicação e à informação, segundo a Federação Sul-Africana dos Deficientes Auditivos. O reconhecimento da comunicação por sinais como uma das línguas nacionais na África do Sul requer uma emenda à Constituição. Se for aprovada, tal emenda tornaria a comunicação gestual na décima segunda língua oficial no país, a par do Xosa, Zulu, Shangana, Afrikans, Inglês, entre outras. Uma vez reconhecida como oficial, a língua de sinais deverá passar a ser usada nas instituições públicas como Parlamento, tribunais, escolas e meios de comunicação. A expectativa da Federação dos Deficientes Auditivos é que o assunto seja debatido e pelo Parlamento sul-africano antes do final deste ano. Actualmente, a língua de sinais é usada no ensino em escolas especializadas. A campanha visando conferir estatuto oficial à língua de sinais na África do Sul vem decorrendo desde 2007.