O antigo embaixador vietnamita em Washington Nguyen Quoc Cuong, assinalou hoje o papel importante desempenhado pelo senador John McCain, que morreu no sábado, na normalização das relações entre os Estados Unidos e o Vietname. McCain passou mais de cinco anos como prisioneiro de guerra no país comunista e foi torturado, depois de o seu avião ter sido abatido, em 1967, durante uma missão de bombardeamento no norte do Vietname. Coung escreveu na sua página na rede social Facebook que o senador sentia orgulho no monumento no Lago Truc Back, em Hanói, que assinala o local onde o seu jato foi abatido e ele, com fraturas nos dois braços e no joelho direito, foi feito prisioneiro. O diplomata recordou ainda que McCain pediu aos vietnamitas para corrigirem a inscrição que o identificava como piloto da Força Aérea em vez da Marinha. McCain terá expressado, segundo Coung, a preocupação de que, depois dele e do senador John Kerry terem morrido, uma nova geração de parlamentares não compreendesse completamente a atenção que dedicavam às relações entre os Estados Unidos e o Vietname, tendo feito questão em trazer jovens deputados com ele nas suas visitas ao país do sudeste asiático. O senador republicano que morreu no sábado, aos 81 anos, vítima de um cancro no cérebro tornou-se uma figura pública aos 31 anos quando a sua imagem deitado numa cama foi transmitida do Vietname do Norte em 1967. Durante as primárias republicanas, o presidente norte-americano, Donald Trump, chocou ao afirmar que McCain não era um soldado heroico, pois tinha sido capturado. Para Alvin Townley, autor de “Defiant”, livro sobre os prisioneiros de guerra norte-americanos detidos em Hoa Lo, prisão onde esteve McCain, este “será sempre o símbolo do prisioneiro de guerra norte-americano” e essa “experiência é inseparável do nome de John McCain e da sua pessoa”. O senador destacou-se também na reconciliação entre os dois países, atualmente aliados. McCain deslocou-se por diversas vezes ao Vietname após o restabelecimento dos laços diplomáticos em 1995, regressando mesmo à prisão onde esteve — agora uma popular atração turística — para um encontro com um antigo guarda. Tran Trong Duyet, 85 anos, antigo diretor de Hoa Lo, declarou-se “triste” com a morte do seu antigo prisioneiro. “Se puder envie as minhas condolências à família dele”, adiantou em declarações à agência France Presse no sábado.