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Acção de funerárias nos hospitais: Percepções e dúvidas inquietam famílias enlutadas PDF Imprimir e-mail
Fonte: Jornal Notícias   
30 de Julho de 2010
PARTE dos utentes dos serviços da Saúde na cidade e província de Maputo está preocupada com a possibilidade de existência de uma relação estranha e perigosa entre alguns trabalhadores hospitalares, particularmente médicos e enfermeiros, e as agências funerárias. Efectivamente, está-se a desenvolver a percepção, de que há mortes estranhas em alguns centros hospitalares que visam beneficiar algumas agências funerárias.

As últimas queixas públicas foram apresentadas ao ministro da Saúde, Ivo Garrido, em dois encontros de auscultação realizados na Matola e na capital do país nos dias 10 e 17 de Julho, respectivamente. Não obstante, segundo apuramos, estas percepções e suspeitas, mesmo sem fundamento, evidências materiais e tangíveis fazem parte de conversas comuns, principalmente nos círculos de pessoas que tem pessoas enfermas e que por uma razão ou outra tem contacto com os hospitais.

A nossa Reportagem, em busca de respostas e principalmente das causas que geram tais percepções ouviu durante dez dias vários sectores, nomeadamente agências funerárias, hospitais, Direcção da Saúde e dialogou com alguns cidadãos.

No essencial as instituições da Saúde e agências funerárias refutam as suspeições. No entanto, a nossa Reportagem apurou que as agências funerárias estabelecem contactos nas morgues com os trabalhadores locais para persuadirem os familiares dos defuntos a usarem os seus serviços, na intenção objectiva de fazer  negócio.

Por outro lado, em tempos, as agências funerárias tiveram autorização implícita para funcionarem junto dos hospitais, com o objectivo de facilitarem a assistência às famílias, na sequência do crescente índice de mortalidade devido a doenças associadas ao HIV/SIDA. Entretanto, esta autorização foi revogada como consequência dos mal entendidos com as famílias enlutadas.

Uma das razões da desconfiança dos cidadãos prende-se com a presença de trabalhadores das agências funerárias nas enfermarias que, amiúde, se oferecem para facilitar os enterros. Os referidos funcionários abordam as famílias enlutadas no recinto hospitalar minutos depois de tomarem conhecimento da morte de um certo parente e, como se não bastasse, antes mesmo dos enlutados comunicarem aos demais familiares e planificarem as cerimónias fúnebres.

Dizem ainda as pessoas que acreditam nessa ligação que a falta de cortesia e uso de linguagem menos cuidada por parte de alguns profissionais da Saúde só acontece porque não há respeito pelos pacientes e famílias, numa altura em que muitas pessoas estão a morrer devido à SIDA.

Na reunião realizada na cidade capital, Narramo Charif, residente no Polana-Caniço “B”, contou, embora sem apresentar provas evidentes, que funcionários das agências funerárias entram diariamente nas enfermarias do Hospital Geral de Mavalane e de outras unidades para perguntar aos enfermeiros e pessoal serventuário da ocorrência ou não de óbitos. A conversa desenrola-se em regime de código e ouvem-se expressões do tipo “que tal há carapau hoje”, em referência aos mortos de idade adulta. Os menores são designados por “carapauzinhos”.

Na sua intervenção, Charif afirmou que para travar as alegadas mortes em benefício das funerárias o Estado devia voltar a encarregar-se dos serviços funerários como o que aconteceu depois da independência, banindo as agências privadas, pois “a morte ficou como um negócio, o que choca com a moral”.

Alexandre Conde, residente em Maxaquene “A”, revelou, por seu turno, que recentemente perdeu uma sobrinha que esteve internada no hospital de Mavalane, mas que, na sua opinião, registava melhorias satisfatórias. Falou ainda de um caso que o julga “muito estranho” em que uma vizinha saudável ficou de baixa a cuidar de um neto doente no hospital. A criança teve alta, mas a cidadã morreu, sem uma explicação que o convence.

Gaspar Tchuma, um dos líderes do bairro de Xipamanine, acha que actualmente há uma competição aberta entre os hospitais e as agências funerárias. Enquanto uns lutam pela vida, outros esforçam-se em ter muitos mortos para sustentarem os seus negócios obscuros, entretanto, não apresentou dados que pudessem sustentar as suas afirmações.

 

Comentários  

 
0 #1 cesar Francisco 2010-07-30 11:29
Vejam que estas funerarias privadas de certeza estao a procura de dinheiro. mas nao seria desta via para conseguir os seus intentos. eu digo culpado e o ministerio que deicha acontecer casos do genero. ser humano nunca foi carapau. isto e grave, melhor governo tomar medidas muito serias. as funerarias privadas deve olhar o humano como ser vivo nao como peiche no frigorifico. ainda digo CHEGA DE MATAR PESSOAS INOCENTES.

OBRIGADO cesar sitaube
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