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Qual destas equipas será o campeão do Moçambola 2010?
 
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Com a força dos “Petrodólares”: Dificilmente voltaremos ao reinado do hóquei africano PDF Imprimir e-mail
Fonte: Jornal Notícias   
29 de Julho de 2010
O CAMPEONATO Africano de Clubes Hóquei em Patins realizado recentemente em Pretória, África do Sul teve dois blocos distintos. Por um lado, um grupo de equipas formadas por jogadores amadores que competem em campeonatos de baixo nível, nomeadamente Maxaquene, Estrela Vermelha (Moçambique), ACP de Pretória, União de Joanesburgo, Invitation (África do Sul) e Al-Daklayea (Egipto) e, por outro, duas equipas angolanas: Académica de Luanda e Juventude de Viana constituídas por jogadores provenientes de dois dos campeonatos mais competitivos do mundo: Portugal e Argentina. Por isso, mesmo antes de começar a prova, era de adivinhar que o vencedor da terceira edição sairia do embate entre as equipas angolanas.

Houve gente (dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos da modalidade) que viveu de perto a competição a condenar os angolanos por terem reforçado os seus “teams” com alguns dos melhores hoquistas do mundo. Na formação da Juventude de Viana três dos titulares actuam em Portugal: Carlos Martins, André Senteiro e Rui Miguel, sendo que dois últimos são titulares indiscutíveis da Selecção de Angola. Ainda gozavam do privilégio de ter no banco, Rui André, um hoquista proveniente também das terras lusas. A Académica, por sua vez, apresentava um cinco totalmente a jogar fora de Angola. Nuno Félix, João Pinto, Paulo Santos em Portugal; Kirro e Martin Payero, ambos na Espanha, no Campeonato mais competitivo do mundo. Como se pode depreender, os “Petrodólares” tiveram uma influência no decorrer do “Africano” de Pretória. Os angolanos apostaram forte, até demais, a avaliar pelo nível dos adversários presentes. Reflexo desse investimento gigantesco foi a forma arrasadora como a Juventude de Viana e Académica de Luanda venceram os seus adversários até chegarem a final.

Na fase de grupos, a Juventude goleou a União de Joanesburgo (11-3); Estrela (16-2) e Al Daklayea (13-2). Já a Académica bateu a Invitation (15-3); ACPP (4-3) e Estrela Vermelha (14-1). Foram verdadeiros despiques entre Golias e David que fizeram com que a prova perdesse grande parte do interesse que se pretendia, a avaliar pela sua dimensão. Embora os angolanos tivessem tirado crédito à prova, por força dos petrodólares, não se lhes pode atribuir culpas, porque talvez se tivéssemos as mesmas condições poderíamos ter contratado também internacionais moçambicanos a jogarem em Portugal de modo a equilibramos a balança. Até porque doutra forma será difícil voltar a ver uma equipa moçambicana regressar ao reinado do “Africano” de Clubes, conforme aconteceu com o Estrela Vermelha em 1993 aquando da realização da primeira edição no Cairo, Egipto.

Ao cabo da terceira edição, fica assente que urge investir-se mais a sério no nosso hóquei. Podemos não ter os tais “Petrodólares” que nos permitem apetrechar as nossas colectividades com os melhores hoquistas do país, mas podemos, à semelhança do que faz o futebol e o basquetebol, exportar os nossos hoquistas para os campeonatos europeus e sul-americanos, uma operação possível, mas que passa por um trabalho de casa a nível da organização nos clubes.

A quarta edição realiza-se na capital do país, em 2012. As responsabilidades são por isso muito mais acrescidas. É portanto indispensável que se faça alguma coisa para fazer face a força dos petrodólares sob o risco de sermos humilhados na nossa própria casa.

 

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