 O PRESIDENTE da República disse ontem, em Chimoio, a capital de Manica, que o país deve melhorar a associação da actividade económica com as artes e cultura para que dela derivem maiores benefícios com impacto no bem-estar dos criadores nacionais e no crescimento da contribuição do sector artístico no Produto Interno Bruto (PIB). O Chefe do Estado lançou este desafio a mais de mil agentes da cultura, no acto que marcou a abertura da fase final do VI Festival Nacional de Cultura, tendo argumentado que, aproveitando o vasto potencial da indústria criativa, o país poderá criar mais postos de trabalho e dessa forma integrar mais compatriotas na dinamização da economia para o grande desafio que Moçambique tem em mãos que é o combate à pobreza.
Entretanto, para que essa intenção seja materializada, Guebuza afirma que há que enfrentar e superar alguns desafios, dos quais destaca a necessidade de convicção de que o potencial das indústrias culturais pode gerar benefícios, a formação de quadros para a gestão e promoção das indústrias culturais e da produção cultural e artística e a necessidade de reforço das parcerias entre o Estado, sector privado, artistas e criadores para a implementação da legislação e políticas aprovadas para os diferentes subsectores da cultura.
“Uma das áreas que deve merecer a nossa atenção e empenho nessa parceria é a protecção dos direitos de autor e combate à pirataria, uma prática que não lesa apenas o criador, mas também ao empresário e ao Estado. Também corrói o nosso bom nome no concerto das nações”, sublinhou Guebuza.
O VI Festival Nacional de Cultura é o segundo que se realiza em moldes multidisciplinares, juntando todo um potencial de música ligeira e tradicional, literatura, dança, teatro, cinema, artes plásticas, artesanato, moda e gastronomia. Espectáculos diários, associados a feiras, exposições e debates sobre diversos assuntos relacionados com as artes e cultura farão da pequena capital de Manica um ponto em que Moçambique reafirme perante si mesmo valores consubstanciados num domínio de que é inquestionavelmente rico.
A abertura do evento foi caracterizada por um desfile dos artistas em marcha e em carros alegóricos partindo da Praça dos Heróis, passando pela Praça da Independência e desaguando no pequeno estádio municipal da cidade de Chimoio, que, por via da presença e desfile das delegações presentes, se tornou na miniatura do vasto Moçambique.
No pequeno recinto desportivo, o Presidente Guebuza dirigiu-se aos artistas e à Nação, tendo-se regozijado pelo empenho daqueles que tudo fizeram para o sucesso do festival e para a divulgação, intramuros e internacionalmente, da cultura moçambicana. Aliás, a este propósito, recordou que duas das nossas mais emblemáticas expressões artísticas, nomeadamente a timbila e o nyau, constam da prestigiante galeria das obras-primas do património oral e imaterial da humanidade elaborada pela UNESCO.
Depois dessa abertura solene, começaram as demonstrações dos artistas das várias expressões em diversos pontos da cidade de Chimoio, alguns dos quais visitados por Armando Guebuza e comitiva. O festival foi também estendido a outros pontos da província de Manica, nomeadamente a vila-sede do distrito com o mesmo nome, Gondola e Sussundenga.
Para além dos artistas que se exibirão nesta realização bienal, estão presentes em Chimoio artistas nacionais de renome, casos dos músicos Hortêncio Langa, José Mucavel e Moreira Chonguiça, a coreógrafa e bailarina Maria Helena Pinto, a actriz de teatro Lucrécia Paco ou o escritor Pedro Chissano, que para além de se inspirarem nas várias manifestações artísticas trazidas à capital de Manica por artistas de todas as províncias nacionais poderão interagir com eles, na sua maioria jovens que os têm como ídolos.
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