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COMEÇARAM ontem os trabalhos de dragagem de emergência no canal principal de acesso ao Porto da Beira, em Sofala. Trata-se de uma acção que tem a duração prevista para 14 meses, finda a qual a via estará livre para o acesso de navios de grande calado, ou seja, até 60 mil toneladas, num processo avaliado em cerca de 43 milhões de euros, dos quais 23 milhões correspondem à participação do Governo, através de um financiamento do Banco Europeu de Investimentos (EIB), dez milhões de fundos do próprio CFM e igual montante proveniente de um donativo do Governo da Holanda para o Desenvolvimento (ORET).
Segundo o Chefe dos Serviços Marítimos dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM-Centro), John Stocker, a primeira das duas dragas a serem utilizadas, baptizada com o nome de Volvox Olympya, chegou na tarde da passada terça-feira ao Porto da Beira, facto testemunhado pela nossa Reportagem na manhã de ontem no Cais nº6, onde se encontrava atracada à espera da hora do início dos trabalhos.
A draga vai operar 24 horas ininterruptamente, devendo de duas em duas semanas fazer o reabastecimento em combustível e logística para os marinheiros.
Para a execução dos referidos trabalhos foi contratada a empresa holandesa denominada Van Oord Dredging and Marine Contractors bv, apurada num concurso público internacional cujo contrato da empreitada entrou em vigor a 24 de Março passado. A fonte precisou que inicialmente será uma draga com capacidade até cinco mil metros cúbicos devendo dentro dos próximos dois meses chegar a segunda de modo a imprimir-se uma maior dinâmica no trabalho nos 22 quilómetros de comprimento do canal.
A supervisão das obras será executada pela própria empresa Caminhos de Ferro de Moçambique com a assistência técnica do consultor holandês abreviado pela sigla DHV. Apurámos igualmente que para custear metade das necessidades desta componente os CFM já receberam uma contribuição da Embaixada da Holanda.
Stocker garantiu que com esta dragagem de emergência o canal de acesso ao Porto da Beira e a chamada curva de Macúti serão restabelecidos para as cotas de oito e 9,20 metros abaixo do Zero Hidrográfico, enquanto a abertura de larguras mínimas estará entre 135 e 200 metros.
Com a reposição do canal de acesso serão atingidos os níveis originais de modo a permitir a recepção de navios até à chamada classe dos Panamax, ou seja, navios com calado até 60 mil toneladas. Além disso, o canal estará aberto 24 horas por dia e em condições de segurança.
Neste momento, devido aos constrangimentos do canal de acesso, o Porto da Beira só pode receber navios até cerca de 30 mil toneladas e durante o período diurno, causando consequentemente, implicações à cadeia logística da operação portuária.
Com esta dragagem, terá também início o aterro hidráulico para a construção do novo Terminal de Carvão do Porto da Beira em substituição do actual no Cais 8.
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