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ÁFRICA compromete-se a aumentar a fatia reservada à saúde para acelerar a redução da mortalidade materno-infantil no continente, onde 49 porcento das mulheres grávidas e 50 porcento de crianças com idade inferior a cinco anos continuam a morrer devido à falta de assistência médica. Numa declaração adoptada ontem no final da XV sessão da assembleia de chefes de Estado e de Governo da União Africana, em que participou o Presidente Armando Guebuza, a liderança africana decidiu procurar alternativas internas de financiamento e não ficar à espera de promessas externas que em muitos casos não são cumpridas ou chegam tarde.
Os fundos deverão ser utilizados para a construção de infra-estruturas, incluindo unidades sanitárias, e formação de pessoal médico para melhor lidar com o fenómeno, descrito como sério no continente, onde o défice em profissionais da saúde atinge os 800 mil. Naquilo que constituiu a primeira grande ocasião para a discussão à volta da saúde da mulher e da criança em África, os presidentes consideram ter ficado mais claros sobre a necessidade de passar da retórica à acção, definindo planos e orçamentos concretos para a viabilização do compromisso assumido ontem em Kampala. Nesse sentido, cada país sai desta cidade com a recomendação de não se ficar à espera de fundos externos, que nalguns casos demoram a chegar, comprometendo os programas desenhados pelos países.
África acolhe apenas 11 porcento da população mundial, mas detém 49 porcento da mortalidade materna e 50 porcento da mortalidade infantil, números considerados como um fardo tremendo para o continente.
Trinta líderes africanos intervieram nos debates sobre a matéria e o sentimento expresso na declaração é que a cimeira foi um sucesso, na medida em que ficou claro que é preciso fazer algo, agir rápido para se acelerar a redução da mortalidade materno-infantil.
O debate deveria durar três horas e meia, mas acabou prolongando-se por mais de oito horas, facto considerado como uma manifestação de vontade para resolver a questão.
Uma das novidades nesta luta – e a este nível mais alto – foi a decisão de envolver as comunidades locais, cujas práticas culturais têm sido apontadas como contribuindo para a morte de muitas mulheres grávidas devido às complicações ligadas à gravidez e ao parto.
O compromisso político dos presidentes à volta da saúde materno-infantil é reconhecido por organizações não-governamentais como um grande passo em direcção à solução dos problemas, mas estas exigem aos líderes africanos que adoptem acções concretas.
Sustentam as ONGs que se se reservar mais recursos e estratégias, os líderes africanos salvarão milhões de mulheres e crianças que perdem a vida, afectando drasticamente o desenvolvimento dos países.
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