
O SILÊNCIO do Presidente Raul Castro marcou na segunda-feira as celebrações da festa nacional de Cuba, defraudando as expectativas criadas no país, nos últimos dias, de que pudesse anunciar novas reformas.
Raul Castro, vestido com um uniforme militar, viajou até à cidade de Santa Clara para assinalar a data, que comemora o assalto liderado por Fidel Castro – então fracassado - ao quartel de Moncada em 1953, mas que representou o início da revolução cubana, concluída em Janeiro de 1959.
Ao contrário dos anos anteriores, Raul Castro não discursou, acabando só por entregar diplomas de reconhecimento a representantes de várias províncias.
O primeiro vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura, foi o nome escolhido para pronunciar o principal discurso das comemorações, depois do anúncio da ausência do Presidente venezuelano, Hugo Chávez., que tinha sido convidado por Havana para ser um dos principais oradores das comemorações, mas acabou por cancelar a viagem devido ao actual clima de tensão entre a Venezuela e a Colômbia.
A festa foi igualmente marcada pela ausência pública do ex-presidente, Fidel Castro, cuja intensa actividade pública nas últimas semanas alimentou expectativas de que ele pudesse participar do evento em Santa Clara. "Esperávamos ver o comandante-chefe e, claro, ouvir Raul, porque a situação do país está muito dura. Mas vamos continuar lutando", disse Antónia López, de 60 anos, na Praça Ernesto Che Guevara, onde está o mausoléu em que repousam os restos de Che.
Durante o discurso, José Ramón Machado Ventura afirmou que o Governo cubano vai continuar a tomar decisões para superar as “deficiências” do país, mas ao seu ritmo e sem “improvisos”, sustentando que o executivo vai actuar “sem soluções populistas, demagógicas e ilusórias” e não será conduzido “por campanhas da Imprensa internacional”.